Associação Portuguesa de Dança do Ventre

Workshop Pedro Françolin - Porto
Quando: 06-09-2015 às 15:00 até às 18:00
Onde: APDV - Cooperativa Realidade, Rua da Creche 134B, S. Mamede Infesta

Pedro Françolin, brasileiro, professor e derbakista, estará em Portugal pela primeira vez, já no próximo mês. 

A APDV não quis perder esta oportunidade e tem o prazer de apresentar um Workshop de ritmos e Musicalidade para bailarinas, ministrado pelo mesmo.

 Derbakista há aproximadamente 12 anos, Françolin, conta com 15 anos de estudos da percussão árabe e atua como professor há 10 anos. 

APDV: Como surgiu o seu interesse por música árabe? 

Pedro Françolin: O meu interesse por musica árabe surgiu por causa da minha mãe. A minha mãe pratica Dança do Ventre desde quando eu era muito pequeno e eu sempre fui muito ligado a ela, acompanhando-a nos eventos e festas. Como sempre toquei algum instrumento e gostei de música (toco um pouco de violão, guitarra e piano também), conheci o derbake e apaixonei-me. A minha mãe deu-me de presente um derbake, e eu fui atrás para começar a estudar. APDV: Fale-nos um pouquinho do seu percurso Pedro Françolin: Comecei a estudar no final do ano 2000, e em 2001 comecei a fazer aulas para aprender os toques corretos, etc. Aos poucos fui conhecendo os profissionais da área e fui ganhando experiência. Quando comecei a tocar, poucas pessoas tocavam derbake profissionalmente no Brasil, e não existia essa facilidade da internet como existe hoje, então, escolhi um dos grandes profissionais que eu já acompanhava, e que me indicaram como um dos melhores: Ely Mouzayek. Fui estudando e dedicando-me cada vez mais ao instrumento. Tocava todos os meses numa escola próximo de minha casa, sem pretensão nenhuma daquilo vir a ser a minha profissão. Tocava por hobby e por diversão. Foi quando, numa dessas festas mensais, a grande bailarina, hoje minha super parceira e amiga, Esmeralda Colabone, foi dançar e me conheceu, super elogiando a minha música. A partir daí vi que o derbake poderia se tornar minha profissão, bastava eu continuar estudando com o mesmo foco e amor. Aos poucos fui conhecendo cada vez mais os profissionais da área, entre eles, músicos e bailarinas, divulgando meu trabalho e trabalhando cada vez mais. Paralelamente comecei a dar aulas, no começo para os mais próximos, mas, vi que faltava uma linguagem onde a bailarina conseguisse entender com clareza tais informações, pois a linguagem dos músicos é bem específica. Foi ai que eu resolvi montar os workshops e cursos, tanto do instrumento, como de musicalidade para bailarinos e bailarinas. Hoje trabalho com os melhores músicos árabes e bailarinas do Brasil e já tive a oportunidade de trabalhar com profissionais de fora também. 

APDV: Como vê a ligação entre bailarinas e músicos? Defende que deve haver partilha de informação/experiências entre as duas partes? Pedro Françolin: A ligação entre bailarina e músico tem que ser 100%. Tanto nos palcos como fora deles. O diferencial que eu acredito ter no meu trabalho é exatamente isso. Eu preocupo-me com essa sintonia entre músico-bailarina, pois o show é feito por ambas as partes. Uma bailarina tem muito o que aprender com um músico, e um músico tem muito o que aprender com uma bailarina também. Eu não sei dançar, mas, sei quais são os passos de uma dança, e como eles se encaixam entre si, pois assim eu consigo compor e criar solos e improvisos com mais perfeição. Procuro ao longo da minha carreira especializar-me cada vez mais em improvisos para bailarinas, e para isso eu preciso aprender muito de dança. A reciproca é verdadeira, pois a bailarina precisa aprender muito de música para ambas as partes conseguirem improvisar e se apresentar com mais perfeição.